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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fanfic Capítulo 8 - Presente?

Postado por Mah da Cunha 1 comentários

Mal eu havia acordado e me encontrava andando apressada pelos corredores. Encontrei com Rosalie no caminho conversando com Jasper, ambos sorriam e tinham um brilho diferente no olhar. Estranho, desde que chegara era a expressão mais relaxada que eu já havia visto eles terem. Alguma coisa boa tinha acontecido, mas eu não estava com tempo para tentar saber o que era.
– Bom dia Bella. – Rosalie falando me dando um leve sorriso.
– Bom dia. – Jasper a acompanhou.
– Bom dia. – respondi apressada passando por eles.
– Aonde vai com tanta pressa? – Rosalie perguntou.
– Falar com Edward. Ele me deve respostas. – falei sem parar de caminhar.
Estava muito concentrada em meus objetivos para ligar para a etiqueta.
– Não acho que seja uma boa ideia. Ele sempre acorda de mau humor. – Jasper falou e percebi que me seguiam.
– Corrigindo, ele sempre está de mau humor. – falei fazendo pouco caso.
– Bem, isso é verdade. – ele falou
– Está indo para a ala oeste? – foi a vez de Rosalie falar.
– Sim.
– Sabe que ele não vai gostar de te ver lá. – Rosalie falou um pouco preocupada.
– Ele não tem que gostar. – falei convicta.
Os passos atrás de mim pararam e eu não olhei para trás para saber aonde eles tinham ido. Continuei o meu caminho, estava nervosa por ontem à noite. Quanta audácia a desse rapaz! Beijar-me a força, que absurdo! E ainda não me deu respostas completas. Bati na porta de seu quarto e já fui logo entrando. Estava sem paciência e decidida a não usar os meus bons modos com essa... fera! Além do mais, não queria correr o risco dele bater a porta na minha cara. Ele faria isso? Com certeza. Rude como ele era não perderia a oportunidade.
Andei mais cautelosa pelo corredor que levava até o seu quarto e me arrependi por não ter esperado ele abrir a porta. Ele estava seminu. Vestia apenas as calças e estava colocando uma blusa de seda preta quando eu entrei.
– Ora essa. – eu murmurei contrariada e corando.
Virei-me logo em seguida constrangida, ficando de costas para Edward que ria.
– Ora essa digo eu, senhorita. Onde estão os modos que valoriza tanto? Não sabe que uma dama não deve entrar assim no quarto de um rapaz? Pode ficar mal falada. – ele disse rindo mais ainda.
– Meus modos não serão gastos com o senhor, uma vez que não tens modos comigo. – falei irritada.
Aproveitei para analisar o quarto. Estava todo escuro, pouco iluminado por algumas velas. Havia cacos de vidro e espelhos espalhados pelo chão. Uma escrivaninha jazia destruída em um canto e a sacada estava fechada por grossas cortinas pretas de veludo.
– Então, o que veio fazer aqui? Veio ver-me me trocar ou tem algo mais interessante em mente? – ele disse com um tom divertido e com um pouco de malícia. Abusado.
– Vim lhe fazer algumas perguntas, e não ficar olhando para o senhor.
– Detesto quando me chama de senhor. – ele falou ao pé do meu ouvido e senti um arrepio subir pelo meu corpo.
Por Deus! Ele não estava agora mesmo do outro lado do quarto? Agora estava aqui, encostado às minhas costas, me segurando pela cintura enquanto falava ao pé de meu ouvido. Tanta sensualidade...argh! Como eu odeio quando ele faz isso.
– Pois bem, Edward, se me permite dizer, acho que não deveria tomar certas liberdades comigo. – falei tirando suas mãos de minha cintura.
Amaldiçoei-me por tremer com esse contato.
– A senhorita é uma péssima mentirosa. – ele falou voltando a agarrar minha cintura com mais força e me colando ao seu corpo.
– O-o que quer d-dizer? – maldição! Agora até me fazer gaguejar ele fazia.
Se bem que ele já havia provocado isso outras vezes. Mas eu preferiria mil vezes gaguejar por medo do que por...uma atração nervosa! Deus, como eu odeio essa sensação que ele me provoca.
– Que a senhorita anseia que eu tome certas liberdades. Não é isso Bella? Você não me anseia?
– Ora, não seja pretencioso. – consegui dizer firme mas ele riu.
– Eu posso sentir isso pela sua pele que se arrepia com o meu toque. – ele falou sensualmente em meu ouvido e eu me arrepiei mais ainda. Que ódio! – Posso ver pelo seu modo trêmulo de falar, posso dizer isso ainda por causa de sua respiração ofegante. Você me deseja, tanto quanto eu a desejo.
Oh, ele me deseja? Então porque era tão rude? Será por isso que ele sempre arranja um meio de me tocar? Eu o desejava? Eu não sabia dizer. Só sabia que meu coração acelerava quando ele estava perto, minha pele queimava com o seu toque, seu cheiro me inebriava e eu sentia algo estranho em minha intimidade. Isso é desejo? Não tinha certeza, pois eu nunca havia sentido isso antes. Era tão estranho e confuso. Era errado.
– Ora essa, minha pele se arrepia porque suas mãos são frias, e eu às vezes gaguejo por estar desconcertada. – disse me afastando de seu aperto.
– Está em negação? Se quiser posso ajuda-la a ver tudo mais claramente. – ele disse com um sorriso zombeteiro no rosto e se aproximando.
Ele ainda não estava completamente vestido e me vi forçando meu olhar para longe. Deus, porque fizeste uma criatura tão bonita?
– Não se atreva a se aproximar. Vista-se logo pois temos que conversar. – eu disse me afastando e quando vi estava encurralada em um canto na parede. Maldição, era uma armadilha.
– Ah, eu tenho planos muito melhores para os nossos lábios. – ele falou se aproximando como um leão preparado para atacar sua presa.
Antes que eu pudesse protestar, o meu corpo estava sendo prensado na parede. Os lábios de Edward estavam ávidos nos meus, nossos corpos se moldavam maravilhosamente.
– Bella... – ele disse entre um gemido me fazendo gemer também.
Suas mãos desceram por minhas coxas fazendo com que minhas pernas ficassem ao redor de sua cintura. De repente fiquei em choque. O que estávamos fazendo? Meu Deus! Edward parou quando viu o meu choque e me soltou. Fiquei escorada na parede, respirando ofegante. Edward estava sentado na cama, com a cabeça entre as mãos. Foi tudo tão rápido. Tudo tão errado... e ao mesmo tempo tão certo.
– Perdoe-me, passei dos limites. – ele disse sem olhar para mim, parecia envergonhado. – Espere-me lá fora, vou terminar de me aprontar. – eu fiz o que ele disse, sem falar algo ou olhar para trás.
Eu ainda estava ofegante quando fechei a porta do quarto. Meu coração batia descompassado, sentia minhas bochechas em brasa. Céus, como pude me deixar levar? Tudo culpa daquele...bastardo! Arrastando eu, uma donzela, em uma sedução sem cabimento. No entanto, eu queria... e muito. Será que eu realmente fora influenciada? Claro que sim. Imagina se eu faria algo do tipo algum dia. Será?
Quando eu sai ele parecia arrependido de seu comportamento. Até pediu perdão. Mas espera, porque arrependido? Ele sabia que nós não devíamos? Ele não queria? Meus pensamentos foram interrompidos quando empregadas se aproximaram segurando baldes e esfregões.
– Senhorita, o que faz aqui? – uma empregada ruiva falou me olhando com desdém. Eu não estava de bom humor para aguentar isso.
– Hora, e lhe devo satisfações por quê? – falei com o mesmo tom de desdém. É, eu estava bem irritada hoje.
– Foi só uma pergunta. – ela falou fazendo careta.
– Vamos Victoria, viemos para fazer nosso serviço e não para ficar de papo. – uma senhora de mais ou menos quarenta anos e cabelos grisalhos falou ríspida para a jovem que fechou a cara na hora. – Com licença senhorita. – a senhora disse amável para mim.
Assim que abriram a porta, Edward saiu de dentro do quarto. Estava esplêndido com suas habituais vestes negras. A ruiva o encarou descaradamente e eu me senti nervosa por isso. Que desfrutável!
– Vamos dar uma volta pelo castelo. – ele falou estendendo-me o braço como um bom cavalheiro.
– Tudo bem. – eu disse surpresa com seu gesto.
As empregadas entraram no quarto, e senti os olhares da desfrutável em mim antes de fechar a porta. O que ela tinha?
– Qual é o problema dela? – perguntei mais para mim, mas Edward escutou.
– Ela quem? – ele perguntou curioso enquanto caminhávamos lentamente pelo corredor.
– A empregada ruiva. Ela parece não gostar de mim.
– Oh, não se preocupe com isso, ela deve estar só enciumada. – ele disse com um sorriso divertido.
– Enciumada?
– Sim. Victoria dizia que iria acabar com a maldição, mas não foi bem sucedida. Ela deve temer que você se saia melhor que ela.
– Eu? Mas o que eu tenho haver com isso?
– Preciso de você para conseguir lidar com a maldição.
– É por isso que me prendeu? Precisa de mim?
– Sim. E, tecnicamente, você não está presa. – ele disse com um sorriso divertido. Ah, como ele é atrevido!
– Como se quebra a maldição? Você não me disse na noite passada. – disse lembrando-me que ele havia me distraído da resposta.
– Infelizmente não posso contar.
– E por que não?
– Para que nada de inconveniente aconteça. Entenda, poderia ser a nossa salvação, mas também poderia ser um desastre. Não quero correr o risco. – ele disse e logo depois ficou sério. Entendi que não era para tocar mais no assunto.
– Certo. Bem, você disse que não sabe o que é. Como isso é possível? Você não fez pesquisas? Já tentaram achar meios alternativos para quebrar a maldição?
– Sim, eu realmente não sei. É claro que fiz pesquisas, e o mais próximo que consegui me relacionar foi com criaturas da noite conhecidas como vampiros. Você já ouviu falar?
– Sim. – eu assenti e logo depois consegui relacionar algumas coisas.
– Mas as coisas não batem completamente. Vampiros queimam no sol, eu apenas enfraqueço. Vampiros não têm reflexo e temem crucifixos, eu tenho reflexo e adoro crucifixos. Acho que sou uma criatura nova, algo criado por Tanya. Não tenho certeza. – ele suspirou e ficou um momento pensativo antes de continuar. – E sim, já tentamos achar meios alternativos, mas uma maldição não pode ser quebrada nem por aquele que a fez. Só há um meio e nenhum mais. Emmett e Jasper saíram em carruagens à procura de feiticeiros e todos disseram a mesma coisa. A busca quase custou as vidas de Emmett e Jasper. O sol consumia suas energias durante o dia e à noite tinham que lidar com aldeões supersticiosos. Fugiam de uma emboscada de fanáticos religiosos quando voltaram. Tudo o que nos resta é esperar que a solução dada por Tanya um dia aconteça.
– Então é algo que depende do acaso?
– Podemos dizer que sim.
– Quem trouxe a carta de Tanya?
– Um corvo enfeitiçado.
– Um corvo? – eu disse surpresa.
– Sim. Um carteiro não poderia vir até aqui. Junto com a carta ela mandou um espelho, também enfeitiçado que está guardado em meu quarto.
– Por que ela mandaria um espelho?
– Edward, é você? Ouço sua voz meu querido. – uma voz doce soou ao fim do corredor.
Virando a curva uma dama um tanto baixinha, com cabelos em um tom caramelo, pele muito alva, lábios avermelhados, olhos ocres e amorosos apareceu. Ela não devia ter mais de trinta anos e usava um vestido verde esmeralda com renda francesa preta, digno de uma rainha. Mas ela era estranhamente familiar. Me lembrei da sala com quadros no quarto de Edward. Sim, ela era uma das moças dos quadros.
– Oh, ai está você. – ela disse vindo em nossa direção toda sorridente. – E vejo que está com sua esposa. – ela sorriu mais ainda para mim enquanto eu corava.
– Esme, ela não é minha esposa. – Edward disse um pouco desconcertado.
– Ah, não? Como se chama minha jovem? Quantos anos têm? – ela disse me olhando curiosamente.
– Me chamo Isabella senhora, mas pode me chamar de Bella. Eu tenho vinte anos.
– Bem, Bella, pode me chamar de Esme. – ela disse dando um sorriso carinhoso. – Vinte anos? Suponho então que já esteja casada.
– Oh, não senhora. – eu disse corando. Isso era meio vergonhoso, pois eu já passava da hora de casar.
– Mesmo? Mas você deve se casar. Minha filha Alice mesmo se casou aos 18, uma idade perfeita. Conhece Alice?
– Sim Esme, eu a conheço.
– Ela é adorável, não é? – eu assenti. – Ora essa, não vejo porque de você e Edward não se casarem. Ele ainda está solteiro e seu pai está a procura de uma noiva para ele. Você seria perfeita Bella, tão jovem e bonita. Fazem um belo par sabia?
– Esme... – Edward tentou dizer, mas foi cortado.
– Edward, sabe que seu pai quer que se case, e já que não tem pretendentes, melhor que seja Bella, não acha? – eu olhei para Edward inquisitiva e ele fez sinal para que eu não falasse nada. – Ele está ansioso para que você vá para a Hungria e assumo o trono. Será um desgosto para ele e para a nação se não estiver casado quando chegar a hora.
– Sim, é verdade. Tens toda razão. – Edward disse tristonho. – Falarei com ele.
– Que bom, fico feliz. – ela disse dando um grande sorriso de contentamento.
– Ai está você. – Alice disse enquanto se aproximava um pouco ofegante. – Te procurei em todo canto, mãe. Vamos voltar pra o quarto.
– Não quero filha, cansei daquele quarto. Quero dar uma volta pelo bosque enquanto ainda não é inverno.
– Mãe, a senhora não está bem...
– Por que essas cortinas estão fechadas?
– Mãe, por favor... a senhora precisa repousar.
– Mas filha...
– Mãe, a senhora não quer voltar a passar mal quer? Papai ficará furioso quando souber que está sendo negligente com sua saúde.
– Está bem. – Esme disse suspirando. – Carlisle anda tão nervoso, não quero que ele fique ainda mais. – Esme disse acompanhando uma Alice cabisbaixa e triste.
Assim que elas se foram eu olhei para Edward confusa.
– Pensei que seu pai havia morrido. – eu disse em um fio de voz.
– E morreu.
– Mas Esme...
– Esme está doente, Bella. Isso acontece de tempos em tempos desde a morte de meu pai. Nós falamos que é a febre, porque ela arde em febre durante esses dias e fica com o juízo um tanto perturbado. Ela age como se nada tivesse acontecido, como se não lembrasse de nada, e depois piora. Passa a falar sozinha e a pintar suas memórias em vários quadros, e então melhora de novo, volta a agir como se nada tivesse acontecido até recobrar o juízo. Ela está melhorando, achamos que ela estaria boa hoje, mas acho que ainda levará alguns dias. – ele soltou um longo suspiro de pesar e olhou o horizonte. – Sinto muito que tenha presenciado isso.
– Olha... – eu disse tocando carinhosamente sua mão fechada em punho. – Eu não me importo. – eu disse por fim.
Sua mão relaxou e ele tocou levemente os meus dedos.
– Obrigado. – ele disse cabisbaixo enquanto ainda acariciava a minha mão com seus dedos frios.
– Pelo quê? – perguntei confusa.
– Por não julgar. Do que gosta Bella? Sente falta de algo?
– Bem, além do meu pai, claro, sinto a falta de um bom livro. Por que pergunta?
– Bem, até agora você não julgou ninguém e não fez escândalos ou ofensas. Quero fazer algo que mostre meu agradecimento por sua compreensão e paciência. – eu o olhei sem entender e ele parecia pensativo. –Venha, tenho algo para você. – ele disse com um sorriso sincero no rosto me fazendo sorrir também.
Oh, como eu adorava quando ele sorria. Sem ironia, sarcasmos e a zombaria, apenas a inocência e a simplicidade. Parecia que tudo era tão diferente, tão leve, ele poderia ser sempre assim. De repente senti algo estranho em meu coração, como se ele se aquecesse. Esperança? Sim, eu tinha a esperança que Edward iria mudar. Será que isso poderia acontecer? Seria tão mais agradável, além do que é óbvio que essa couraça de maus modos é apenas uma máscara. Ele a tiraria por mim? Eu sentia que Edward poderia ser tão diferente. Há algo enterrado nele e eu gostaria de trazer à tona.
– Algo para mim?
– Sim. Acho que você vai gostar. – ele disse sorridente.
Caminhamos por alguns corredores da ala oeste e chegamos a um corredor onde ao final havia grandes portas de madeira decoradas com ouro.
– Agora feche os olhos. – ele disse e eu fiz uma careta. – É uma surpresa. Não a estrague. – ele disse rindo.
Contrariada, eu fiz o que ele pediu. Logo depois ouvi as portas rangerem ao serem abertas. Edward segurou minha mão e me guiou para dentro. Eu deveria estar com medo, não deveria? Afinal, era um homem rude me guiando para uma sala desconhecida. Mas eu não estava. Estava ansiosa e sentia que eu nutria uma certa confiança por aquele rapaz tão solitário. Será isso o que o afligia tanto? A solidão?
– Já posso abrir?
– Espere, vou acender as velas. – ele disse e ouvi os seus passos se distanciarem.
Esperei por mais alguns instantes, mas já não me aguentava de curiosidade.
– Agora, já posso abrir? – falei impaciente e Edward riu.
– Sim, agora. – abri os olhos e me deparei com uma enorme biblioteca.
Ela possuía três andares, estava abarrotada com livros dos mais diferentes tamanhos e cores. Havia escadas espalhadas pela biblioteca que levavam até o topo, poltronas, divãs e uma grande lareira que Edward acabava de acender. Havia também várias pinturas espalhadas pela biblioteca e um grande globo terrestre ali perto.
– Não é possível! Eu nunca vi tantos livros em toda a minha vida.
– Você gostou?
– Que maravilha! – eu disse rodopiando na grande biblioteca admirando todo o seu esplendor.
– Então é sua. – eu o olhei admirada e surpresa, ele apenas sorria.
– Muito obrigada. – eu disse com lágrimas em meus olhos de tanta emoção.
– Obrigado você.
– Está sendo quase um anjo agora. – eu disse rindo e me aproximei de uma das estantes.
Tantos nomes conhecidos e desconhecidos estavam ali. Mal podia esperar para começar minhas leituras.
– Anjo? – ele falou dando uma risada sem humor. – Sou um monstro Bella, essa é a verdade.
Ele falou e um semblante triste assumiu sua face. Ele se sentou em uma das poltronas perto da lareira e ficou olhando para as chamas. Ele parecia tão solitário e perdido ali. Senti um aperto em meu coração e me aproximei. Não podia deixa-lo assim, era o mínimo que eu podia fazer, afinal ele estava sendo maravilhoso comigo nas ultimas horas. Havia até me dado uma biblioteca! Eu precisava ajuda-lo. Ajoelhei-me perto de sua poltrona e ele olhou-me confuso, a tristeza em seus olhos estava bem presente.
– Você não é um monstro. – eu disse tocando levemente suas mãos que estavam em seu colo.
– Eu sou, e você sabe disso. – ele disse dando um sorriso sem humor.
– Não, não é. O que você é não é escolha sua, nem foi por sua culpa, foi apenas o capricho de uma mulher vingativa. A verdadeira monstruosidade e distorção estão em nossa alma. Sua alma não é distorcida, posso ver isso. Você pode até tentar distorcê-la por conta desse fardo que carrega, mas não consegue.
– Pensei que me odiasse. – ele falou sério, me olhando com um brilho estranho no olhar.
– No começo, talvez. Mas sempre nos deixamos nos levar pelas aparências nas primeiras impressões. Agora que eu finalmente começo a conhecê-lo eu te entendo. Você é a prova de que a beleza está no interior, eu posso até ter te desprezado, mas agora vejo que não tive motivos. Seus comportamentos, apesar de irritantes, são os reflexos do que a sua vida tem sido, mas você é mais do que isso. Cabe a você decidir se quer demonstrar isso a mim ou não. – eu falei dando um leve sorriso.
Senti minhas bochechas arderem de repente, a compreensão invadindo a minha mente. Eu estava surpresa com o que havia falado, até aquele momento nem eu tinha noção do que pensava. Fiquei surpresa por ter concluído isso tão facilmente enquanto falava com ele, e feliz por ser tudo verdade. Sim, eu havia exposto o que sentia a ele. Era estranho como eu havia mudado de opinião em tão pouco tempo.
– Você é mais do que eu esperava. – Edward falou afagando minha bochecha e sorrindo.
Havia um brilho tão intenso e estranho em seu rosto, ele parecia feliz. Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa, ele se levantou e foi até uma das estantes, retornando em seguida com um livro grosso de capa verde.
– Gosta da história de “Sir. Gawain e o Cavaleiro Verde”?
– Nunca ouvi ou li. – disse sendo sincera e ele sorriu.
– É sobre Gawain, um cavaleiro da távola redonda, sobrinho de Rei Artur. É uma ótima história. – ele falou e se sentou ao meu lado em cima, do tapete feito de pele de urso. – Quer que eu leia para você?
– Adoraria. – falei sorrindo e me sentando mais confortavelmente no tapete.
Ele sorriu para mim, abriu o livro e começou a ler.
Ficamos ali, lendo e sentados em frente à lareira até o cair da noite. Deixamos a biblioteca apenas duas vezes para que eu pudesse me alimentar, mas logo estávamos de volta. Lá fora eu podia ouvir o vento, e a temperatura parecia mais amena. O inverno estava chegando.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Fanfic Capítulo 7 - A Fera

Postado por Mah da Cunha 0 comentários
Oi gente!!!
Bom voltei com o Blog. então continuarem a postar a Fanfic rs
Espero que alguém ainda esteja lendo rsrs

Edward insistiu que eu jantasse antes da nossa conversa. Eu comi meio sem graça, pois seus olhos estavam sempre em mim. Quando eu terminei, Edward abriu uma porta que havia ao fundo do salão de jantar. Como eu nunca havia reparado nessa porta? Estou demasiadamente distraída nos últimos dois dias. Ele me guiou através daquela porta e fomos parar em um amplo jardim florido.
O pátio era de pedra e o jardim enfeitado com rosas de vários tipos e cores, mas a predominante era a vermelha. Haviam algumas árvores floridas por ali e bancos brancos espalhados pelo pátio. O chão estava coberto de folhas e uma leve brisa fazia com que mais folhas caíssem. Edward me levou para um dos bancos e se sentou, indicando logo em seguida para eu fazer o mesmo. Dei uma olhada ao meu redor, distraída com tamanha beleza. O céu estava limpo, a chuva havia passado e a lua cheia estava alta no céu. O lugar estava na penumbra, éramos iluminados apenas pelo luar. Olhei sorrindo para Edward e ele me estendeu uma rosa vermelha, me pegando de surpresa.
– Nossa, obrigada. – eu disse estupefata com seu gesto.
– Viu? Eu sei ser um cavalheiro quando eu quero. – ele disse sorrindo um pouco.
– Poderia querer mais vezes. – eu disse e logo depois me arrependi. – Perdoe-me, fui grosseira.
– Tudo bem, não é como se eu não te entendesse. – ele disse e desviou o seu olhar para a lua.
Ele parecia tão calmo ali, sentado admirando a lua. Cheirei levemente a rosa e sorri. Seu perfume era delicioso, mais perfumada do que qualquer rosa que eu já vira. Ela tinha algumas gotículas de água em suas pétalas e folhas e estava muito bem cuidada, como o resto das outras flores.
– Tudo aqui é tão lindo. – eu murmurei e Edward se voltou para mim.
– Gosta daqui?
– Sim, é encantador. Pena que o inverno está chegando e logo não restará mais nada. – eu disse triste.
– É verdade, mas depois do inverno sempre vem a primavera. – ele disse e deu um leve sorriso.
– Acho que é isso que torna a vida suportável. Depois de algo ruim, sempre vem algo bom.
– Eu não diria isso. – ele falou ficando sério. O que eu disse de errado?
– Por que fala assim?
– Por que nem sempre algo bom acontece após um fato ruim. Às vezes a parte ruim perdura. – falou olhando o horizonte, perdido em seus pensamentos.
– Sempre há esperança. – eu falei, não querendo acreditar em seu ponto de vista.
– Talvez. – ele disse dando um leve sorriso torto, fazendo com que meu coração acelerasse. – Sinto muito que você tenha presenciado aquilo em meu quarto. Não era para você ter visto. – ele falou um tanto triste.
– Está tudo bem. – disse querendo acreditar em minha própria afirmação. – Se me permite, tenho uma pergunta a fazer.
– Pergunte.
– Saiba que apenas pergunto por que a curiosidade me corrói...
– Imagino, você é uma jovem bastante curiosa. – ele disse sorrindo zombeteiro me fazendo corar.
– Bem, sim, apesar de tentar controlar.
– Não se preocupe. Agora, a sua pergunta seria? – ele me olhou inquisitivo e eu suspeitava que ele já sabia o que eu iria perguntar.
– Edward... o que é você? – ele suspirou alto e me olhou sério.
– Eu não sei. – sua resposta me surpreendeu e eu o olhei pasma.
– Não sabe?
– Bella, se lembra quando eu disse que havia chegado a hora de você saber um pouco mais sobre mim? – eu assenti e ele continuou. – Há mais de trezentos anos, eu e minhas irmãs viemos da Hungria para fazer da Inglaterra o nosso novo lar. Nossos pais nos visitavam frequentemente, mas não podiam ficar pois tinham um reino para cuidar.
– Oh, meu Deus! Você é o príncipe das lendas! – eu disse surpresa. Seria possível?
– Sim, eu sou. Mas suas lendas estão erradas, a história é completamente diferente do que contam por ai. São apenas especulações, ninguém nunca soube o que ocorreu de verdade, a não ser minha família e os empregados.
– Quer dizer que vocês moram aqui a mais de trezentos anos? Não envelhecem? Não morrem? Até mesmo os empregados? – eu falei mais incrédula do que nunca.
– Sim, Bella, nós fomos amaldiçoados. – ele disse com pesar.
– Amaldiçoados? Isso é possível?
– Sim, é. Eu já fui cético como você também. Deixe-me contar como tudo começou.
– Sim, por favor. – eu disse e ele riu levemente pela minha curiosidade.
– Na época eu não era um rapaz grosseiro, como você gosta de acentuar, eu era alegre, cortês, gentil e muito estimado pelas pessoas. Quando chegamos não havia cidades, apenas vilas ao redor e eu ajudava sempre que podia os locais. Eu tomava conta da região e era responsável pelas minhas irmãs. Apesar de Rose ser a mais velha, eu era o homem, então eu era o dono do Castelo e tinha que cuidar de tudo. Meu pai se orgulhava muito de mim, dizia que eu seria um bom rei para a Hungria. – Edward soltou um longo suspiro antes de continuar – Rosalie e Alice gostavam de estar entre o povoado e em poucos meses Rosalie já se encontrava apaixonada por um local e se casou com ele. Apesar de não ser nobre, nosso pai aprovou a união pois Rosalie o amava. Ele sempre superestimou o amor, nos ensinou desde pequeno que deveríamos fazer de tudo para ficar com a pessoa amada, mas também sempre ressaltava os nossos deveres para com o nosso país. Sendo assim, não seria surpresa que eu me tornasse um romântico. As jovens das vilas ficavam deslumbradas com meus encantos e eu adorava cortejá-las. Eu era um grande namorador. – ele falou e soltou uma risada.
Era tão estranho vê-lo rir, ele sempre estava com uma carranca no rosto. Ele parecia um pouco mais leve agora, e com um olhar tão saudoso que me deixava ainda mais curiosa.
– Ainda sim, eu não passava dos cortejos. Respeitava demais as donzelas para ir além. Logo depois do casamento de Rose, Alice se casou com um duque e eu vi que apenas eu não havia encontrado o amor. Emmet e Jasper me apresentavam primas e outras donzelas na esperança de que eu me apaixonasse, mas isso nunca aconteceu. Os anos passavam e eu já estava com vinte um anos quando meu pai trouxe da Hungria minha futura esposa. Ela era uma condessa, seu nome era Tanya, ela era loira e possuía traços perfeitos. Era o tipo de senhorita que deixava os homens aos seus pés e gostava disso. Mas para a surpresa de todos, eu não gostei dela. Seu olhar frio e seu ar esnobe me davam náuseas. Discuti com meu pai, eu não queria me casar com ela, queria me casar por amor como minhas irmãs. Mas ele disse que eu estava passando da idade de me casar, que se não tivesse nenhuma pretendente teria que me casar com Tanya. Era inadmissível que eu estivesse solteiro quando fosse subir ao trono.
– Mas já estava na hora de você assumir o seu lugar? Pensei que seu pai teria...bom...falecer primeiro. – eu disse sem graça pela indelicadeza.
– Bem, é o que diz a tradição, mas meu pai estava cansado e doente. Esquecia facilmente as coisas e isso para o governo era péssimo. Eu teria que inevitavelmente assumir o seu lugar e deveria ter uma esposa quando isso acontecesse. Não vi outra saída a não ser tentar gostar de Tanya. Eu bem que tentei mas a sua presença me enjoava, já ela estava cada vez mais encantada por mim. Foram vários dias tentando até que resolvi jogar tudo para o alto, fui até uma taverna e tinha a intenção de me embriagar quando eu vi uma bela donzela saindo de lá. Era Christal, ela era a filha do dono, tinha ido ajudar o pai com os fregueses. Fiquei louco por ela, era tão linda e delicada, diferente das outras jovens. Passei semanas cortejando-a às escondidas, ela sempre me evitava pois estava noiva. Até que em uma semana ela sucumbiu, e tivemos uma intensa noite de amor. Voltei ao castelo feliz, estava ansioso para contar ao meu pai que havia encontrado minha futura esposa. – Edward de repente se calou e sua expressão era séria...torturada.
– Edward? – eu disse largando a rosa no banco e tocando seu ombro.
Ele tocou minha mão com delicadeza e a acariciou levemente com seus dedos frios. Era um gesto tão carinhoso e gentil, e ao mesmo tempo tão carente. Ele tirou sua mão da minha e eu retirei minha mão de seu ombro. Ele se voltou para mim e me deu um sorriso triste.
– Meu pai havia acabado de voltar de viajem e detestou as minhas boas novas. Ele havia comunicado ao reino que eu iria me casar com Tanya e que quando retornasse seria para oficializar o noivado. Um rei nunca pode voltar com sua palavra, todos estavam ansiosos pela união, principalmente os nobres. Ele ordenou-me esquecer Christal e arrumar minhas malas para ir embora. Naquela mesma noite eu mandei uma carta falando de minha situação para Christal e falando que iriamos fugir, pois era ela quem eu queria ao meu lado. Esperei ansioso por sua resposta e tudo o que recebi foi uma simples carta dizendo que tudo não passou de um erro e em baixo havia um grande “adeus”. Fiquei transtornado, e quando vi já estava na estrada rumo à sua casa. Eu a encontrei nos braços de seu noivo, os dois bêbados na taverna rindo. Quando ela me viu ela me disse que nunca foi nenhuma donzela e que tudo não havia passado de um jogo. Era disso que ela gostava, enganar rapazes românticos, quebrar seus corações por diversão. E seu noivo era cumplice, ele gostava de ver a face arrasada dos rapazes. Eu vi naquele momento que eles não tinham escrúpulos, eram dois loucos a procura de um idiota para se divertirem. Fiquei confuso, frustrado, furioso. Não entendia porque haviam feito aquilo comigo. Comecei uma luta corporal com o noivo dela e saí perdendo, sendo esfaqueado no abdômen. Saí da taverna humilhado, deixando para trás a risada dos bêbados.
– Que horror! Qual o sentido de brincarem com seus sentimentos?
– Uma coisa que eu aprendi, Bella, é que o ser humano é mau e ele não precisa de razões para ser mau. Ele pode torturar alguém simplesmente porque não gostou de seu rosto. Ele pode maldizer uma pessoa, simplesmente porque se satisfaz assim. Foi isso o que aconteceu. Foi tudo uma diversão, um passa tempo. Nada havia sido real.
– Eu sinto muito. – eu disse sendo verdadeira e ele sorriu levemente, mas logo esse sorriso se desfez.
–Quando cheguei ao castelo quem me recebeu foi Tanya. Eu estava chorando e gritando. Ela me acolheu em seus braços e começou a chorar, pois eu estava morrendo. Ela dizia que conhecia forçar ocultas e que poderia me salvar, que tudo ficaria bem. Eu falei que nada ficaria bem porque meu coração havia sido quebrado. Tanya me indagou sobre o que eu falava e lhe contei tudo o que havia acontecido. Ela me largou no chão, se sentindo traída, disse que eu não precisava me preocupar pois eu não iria morrer, nunca, ela cuidaria para que eu vivesse durante muito tempo... em um inferno. E foi isso o que ela fez. Eu não acreditava em magia, mas Tanya tinha conhecimento dela, e então ela me amaldiçoou, a mim e a minha família.
– Deus! Mas por quê?
– Tanya sentiu que eu a havia usado. Havia conquistado ela para depois abandoná-la, mas não foi assim. No entanto, ela sempre havia sido uma pessoa rancorosa e vingativa. O seu coração ficou cheio disso quando eu revelei o que havia ocorrido.
– E depois? O que aconteceu? – perguntei não aguentando de curiosidade.
– Minha ferida cicatrizou, mas o meu corpo ficou gelado como o de um cadáver, a minha aparência era a de um morto. Meus olhos, antes verdes, perderam a cor e ficaram sem vida. O mesmo aconteceu com a minha família, todos ficaram como cadáveres. O castelo também se transformou, antes era todo iluminado e cheio de esculturas de anjos. Ele se transformou em algo tenebroso e profano. A floresta ao redor ficou escura e densa. Mas isso não foi o pior. Meu pai vendo o que ela havia feito tentou mata-la em um ato de fúria, mas foi ele quem saiu morto. Usando seus dons, Tanya fugiu nos deixando à mercê de sua maldição. Tentamos ir atrás dela, mas descobrimos que sua maldição tinha outros efeitos. À luz do sol nós enfraquecemos. Minha família pode passar um pouco mais de tempo exposto, mas comigo é pior. Cinco minutos são o suficiente para que eu fique fraco até mesmo para andar, enquanto eles conseguem ficar até três horas até chegarem nesse estágio.
– Então, com você, a maldição foi pior?
– Muito. Eu não posso me alimentar, a comida não fica em meu estômago, é imediatamente rejeitada.
– Do que você se alimenta então? – eu perguntei temerosa, já sabendo a resposta.
– De sangue. A primeira vez que descobri isso foi um choque e quase matei uma das empregadas. Descobri que isso só acontecia comigo, pelo menos uma vez por semana eu sentia a urgência de sorver sangue e atacava algum empregado. Felizmente nunca matei ninguém, minha audição ficou mais aguçada com a maldição e eu sempre paro quando escuto o coração começar a bater fraco. Descobri também que, ao contrário dos outros, os meus reflexos são mais rápidos e minha força é maior, algo necessário quando se caça na floresta.
– Caçar? Como assim? – perguntei sem entender o que ele quis dizer.
– Sorver sangue humano por algum tempo foi algo perturbador, então passei a caçar os lobos que surgiram na floresta. Foi ai que surgiu a lenda do Deus do Bosque. – ele disse e riu um pouco.
– Ah! Isso explica muita coisa. O que você quis dizer com “os lobos que surgiram”?
– Quando Tanya transformou a floresta, ela colocou lobos nele que servem de vigias. Todo empregado, ou forasteiro, que tenta sair do castelo é morto. Se alguém estiver caminhando pelo bosque eles o guiam até o castelo. A pessoa busca abrigo e depois tenta ir embora, mas é morta assim que sai. Alguns empregados tentaram fugir depois de tudo o que ocorreu mas foram mortos logo em seguida. Os únicos que não são atacados são minha família, e eu, claro. Mas isso não é uma vantagem, de qualquer jeito, visto que se sairmos daqui, mesmo que à noite, não poderíamos viver como pessoas comuns na cidade. Passaríamos o dia escondidos e as pessoas começariam a falar. Logo haveria rumores de que havíamos vendido a alma para o diabo ou que éramos bruxos. Não demoraria e estaríamos ardendo em uma fogueira. – ele disse dando um sorriso sem humor.
– Os empregados, por que não são como vocês?
– Não sabemos. Alguns anos depois, recebemos uma carta de Tanya que estava em seu leito de morte. Ela se dizia arrependida pelo que tinha feito e dizia que havia um meio de quebrar a maldição. Ela esclareceu outras coisas, como o fato de que não voltaríamos a ser humanos até que a maldição se quebrasse e que os empregados só voltariam a envelhecer quando nós voltássemos.
– Há um meio então? E qual é? – eu disse pulando de ansiedade e Edward riu.
– Sabe, em minhas caçadas muitas vezes eu saia machucado e logo descobri que eu cicatrizava incrivelmente rápido. O ruim é que logo depois eu sentia sede de sangue. – ele falou cabisbaixo e isso me chamou para um alerta.
– Quando voltamos da floresta, você...você se alimentou? – eu perguntei corando um pouco. Esse assunto me perturbava.
– Sim, de uma das empregadas. Não se preocupe, ela está bem, eu nunca matei ninguém e nem pretendo. Além do mais, elas se recuperam rápido. – ele parou de falar e ficou me analisando.
De repente senti seus dedos frios em minha bochecha esquerda. Ele a tocava tão delicadamente e de forma tão suave que me fez ter um leve arrepio e corar levemente.
– Você não tem noção do quanto me tenta quando faz isso. – ele disse arfando.
– Isso o-o que? – falei desconcertada.
– Corar. Te deixa tão linda e deliciosa. Seu cheiro fica ainda mais ressaltado. Como me faz querer prova-la... – ele disse descendo sua mão para meu pescoço e acariciando ali.
Tremi fortemente com esse contato e ele na mesma hora retirou a mão. Olhei para baixo desconcertada e senti minhas bochechas arderem.
– Então... – disse tentando mudar de assunto – Por que prendeu meu pai aqui?
– Bem, durante alguns anos tivemos problemas com os moradores locais. Várias pessoas vieram ver o que tinha acontecido conosco e acabaram presas no castelo. Algumas fugiam assustadas com o lugar e acabavam mortas pelos lobos, outras nós levávamos de volta à vila e elas espalhavam a noticia do que viram para os outros e logo tínhamos mais visitas. – será que foi assim que surgiram as lendas? Possivelmente.
– Me desculpe, mas, te interrompendo, por que vocês não levam os empregados para a cidade como vocês faziam com essas pessoas?
– Do que adiantaria? Eles não envelhecem, e até juntarem dinheiro para mudarem para outra cidade as pessoas já teriam notado.
– Oh, sim, faz todo o sentido. Continue.
– Como eu dizia, essas pessoas geravam grandes transtornos, principalmente as religiosas. Demoramos e evitar essas inconveniências. Quando seu pai apareceu ele fugia dos lobos e tentou se esconder no castelo. Subiu procurando por algum morador e me encontrou me alimentando. Sei que já percebeu como meus olhos ficam quando me alimento ou quando estou com raiva, e quando ele viu isso saiu correndo de volta para a floresta. Eu não podia deixar que mais uma pessoa fosse morta, então o capturei e o prendi aqui. Pretendia leva-lo de volta para a cidade depois de conversar com ele e pedir por sigilo. No entanto você apareceu, se ofereceu para ficar no lugar dele e eu aceitei. – ele disse sorrindo para mim.
– Você me enganou! Seu miserável, bastardo! – eu bradei me levantando em um pulo.
– Hora essa, senhorita, eu precisava que você ficasse. – ele sorriu sarcástico.
– Para quê? Para ser sua prisioneira?! – como ele ousava? Ele me enganou, meu pai não estava condenado a ficar preso afinal de contas.
– Tenho meus motivos. – ele disse sério.
– E que motivos são esse? Exijo saber! – eu disse o enfrentando.
– Você não exige nada, senhorita! – ele me enfrentou de volta e eu recuei com medo.
– Meu pai vai contar aos outros. Ele trará alguém para me tirar daqui! – falei petulante empinando o nariz
– E porque ele faria isso? Sabendo que tenho sua filha em minhas mãos, ele tem muito mais a perder do que eu. – ele disse se aproximando de mim e segurando forte meu rosto em uma de suas mãos. – Seu pai é um homem sensato, senhorita, ele sabe que se ele fizer algo que eu não goste a sua vida estará em perigo.
– Teria coragem de me matar? – eu disse arregalando os olhos.
– Antes você do que eu. Você sabe, todos aqui deste castelo dependem de mim para por um fim nessa maldição. Se eu morrer, o que será deles?
– Me surpreende que ninguém ainda tenha tentado mata-lo. Você é desprezível. – falei ríspida, fervendo de ódio por ter sido enganada e agora eu estava à mercê dele.
– Oh, mas já tentaram, minha cara dama. Mas é como eu disse, eles precisam de mim.
– Pobres almas. Depender de um bastardo deve ser terrível. – eu falei com rispidez e seu aperto em meu rosto aumentou. Assim como a raiva em seus olhos.
– Me despreza tanto assim?
– Eu o odeio. – falei com nojo. Por um momento ele pareceu magoado, mas logo a fúria estava de volta em seu olhar.
– É mesmo? – dito isso ele me puxou pela cintura até ficar grudada em seu corpo.
– Me solte! Seu bruto! Arrogante! Bastardo! Mentiroso! – eu batia meus punhos com força no peito de Edward mas de nada parecia adiantar.
Quando eu menos esperava seus lábios frios estavam sob os meus me calando. Ele me beijava com fúria e logo sua língua estava de encontro com a minha. O que estava acontecendo comigo? Meu corpo estava mole, minha cabeça parecia nublada, meu coração doía de tão rápido que batia. Por que eu não o parava? Eu não conseguia pensar, só sentir. Seu corpo estava maravilhosamente colado ao meu, seus braços me apertavam mais perto a ele, minhas mãos estavam em seus cabelos o puxando para mim. Havia urgência em nossos lábios e gemidos escapavam de nós a todo segundo. Então o beijo parou. Seus braços não estavam mais à minha volta e eu estava tonta, tentando entender tudo o que havia acontecido. Escutei uma risada e encontrei Edward sorrindo sarcástico para mim, enquanto tentava ajeitar seus cabelos naturalmente bagunçados.
– Hora, do que está rindo? – perguntei brava.
– Sabe o que dizem senhorita? Que o contrário do amor não é o ódio, e sim a indiferença.
(n/a: obrigada pela dica da frase, Myfanfics, sua linda ;D)
– O que quer dizer com isso? – eu disse confusa e irritada por seu sorriso que não sumia.
– Que esse beijo, senhorita Isabella... – ele se aproximou e tocou meus lábios mas eu me afastei corando fortemente com a lembrança. – ...pode até ter tido um pouco de ódio, mas com certeza eu não senti a indiferença nele. – ele falou e se afastou em direção à porta rindo. – Boa noite.
Ele disse e saiu sem nem ao menos olhar para trás. Grosso! Estúpido! Céus, onde estava com a cabeça quando o deixei me beijar? Meus lábios, antes imaculados, haviam sido violados por aquela... fera! Retornei para os meus aposentos contrariada, irritada e bufando durante todo o caminho. Como ele ousava? Primeiro me usou e depois...roubou-me um beijo! Eu podia sentir seus lábios ainda contra os meus e fiquei irritada comigo mesma quando percebi que havia gostado. Sim, eu havia. Foi uma sensação maravilhosa e eu odiava isso. Como eu posso ter achado maravilhoso o beijo daquele sem educação? Fiquei apenas de camisola e me joguei na cama pensando em nossa conversa.
Ele não havia me respondido quando perguntei como se quebrava a maldição. Maldito! Me distraiu para que ele não tivesse que me falar. E o que ele era? Como ele não podia saber? Será que não suspeitava de nada? O que ele quis dizer com não sentir a indiferença em meu beijo? Tantas dúvidas. Mas isso não ficaria assim, eu iria esclarecer toda essa história. Assim que eu acordasse iria atrás dele.
P.d.v autora
Edward estava na sacada de seu quarto observando a lua com um sorriso bobo. Estava distraído, pensando no beijo que dera em Isabella, mas ouviu quando alguém se aproximou. O som dos cacos de vidro sendo pisoteados diziam-lhe que a pessoa estava vindo para a sacada.
– Sabe, acho que você deveria ser mais cavalheiro, ela aprecia isso.– Alice falou. Ela na certa estava espiando a conversa dos dois por uma das janelas.
– Eu sei, mas é que às vezes ela me irrita.
– Você sempre está irritado.
– Mais de 300 anos enclausurado faz isso. – Edward disse zombeteiro e olhou para a irmã que tinha o semblante fechado. – Vai dar tudo certo. – ele disse adivinhando o que se passava na mente da caçula.
– Se você continuar sendo tão rude eu acho que não haverá esperança.
– Eu não diria isso. – Edward falou sorrindo, voltando a olhar para a lua e lembrando-se do beijo.
Ele no fundo sabia que Isabella havia gostado do beijo. E geniosa como ela era, se não sentisse algo não o teria deixado tocá-la. Ele ainda sentia os lábios quentes da jovem nos seus. Se fechasse os olhos podia sentir ela em seus braços. Tão quente, frágil, tão desejosa. Ele havia se sentido atraído por ela desde que a viu. Às vezes ficava irritado consigo mesmo pelo tanto que a presença da senhorita mexia com ele. Era algo novo, diferente, estranho, que ele negava no inicio ser algo para se dar a devida atenção. Quem era ela afinal? Apenas uma forasteira. Mas agora ele via, ela era mais do que isso. Nunca sentira algo igual, nem por Christal. As coisas começavam a fazer sentido.
– Deus, está apaixonado! – Alice o olhou surpresa. Chegara a pensar várias vezes que isso nunca iria acontecer.
– Não sei ainda, sinto algo novo, mas não posso dizer ainda o que é.
– É paixão, está sorrindo igual a um bobo apaixonado. – a caçula disse e um brilho diferente apareceu em seus olhos.
– Sabe, acho que vou seguir seu conselho. Vou começar a ser mais cavalheiro. – Edward disse lembrando-se do modo que tratou Isabella. Sentiu-se mal logo em seguida. Estranho, há anos não ligava para os bons modos e etiqueta.
Alice nada disse, apenas sorria pensando em contar às boas novas para os demais.
– Como está Esme, saiu do quarto? – Edward perguntou preocupado com a madrasta.
– Está melhor, a febre passou. – Alice falou aliviada. Não gostava de ver a mãe tão mal.
– Ótimo, amanhã levarei Bella para que a conheça.
– Faça isso, ela está aguardando. – Edward assentiu e Alice foi se retirando quando lembrou-se de algo. – Edward, vai contar tudo a Bella?
– Não. – ele soltou um suspiro. – Não quero influenciá-la.
– Entendo. Faz bem, ela pode se sentir obrigada a algo.
– É o que penso.
– Posso mandar as empregadas virem arrumar seu quarto? – Alice falou esperançosa.
– Para quê? Se eu ficar com raiva vou destruir tudo de novo.
– Eu sei, mas Bella pode querer ficar aqui.... – Alice falou pensando em um futuro que Edward considerava fantasioso.
Será que chegariam a tanto? Será que um dia dividiriam os aposentos? Edward achava impossível, mas a fantasia o encantava no momento.
– Tudo bem. Mande-as vir de manhã. – Alice sorriu e saiu do quarto sem falar mais nada.
Sem querer, Alice e Edward estavam alimentando esperanças e imaginando algo que poderia não passar de sonho. Edward se sentiu por um momento feliz. Será que nem tudo estava perdido? Ele esperava que sim.
...
Um pouco longe dali, um homem de quarenta anos residia em sua cama enfermo. Sua única amiga, uma senhora de idade, cuidava dele. Nos últimos dias havia recebido a visita de cobradores. Com o dinheiro emprestado de sua amiga, pôde pagá-los sem problemas, mas um dos cobradores não ia embora. Ele aguardava por Bella.
– Charlie, mais uma vez, onde está Isabella? Preciso ter uma conversa importante com ela. – Jacob falava impaciente.
– Meu jovem, não vê que ele está doente? – a senhora Leah suplicava pela compreensão.
– Já lhe disse, ela está no castelo. Está com aquele monstro! – Charlie falou antes de começar a tossir novamente.
Jacob saiu do quarto contrariado. Precisava saber do paradeiro de Isabella e não conseguia tirar nada daquele velho maluco. Velho maluco? A mente de Jacob começava a funcionar agora bolando uma ideia.
– É isso! – bradou antes de se retirar da casa.
Ele caminhava apressado pelas ruas desertas e escuras. Um sorriso grande brotava em seus lábios. Isabella seria sua agora, disso ele não tinha dúvidas.

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