sexta-feira, 27 de julho de 2012

Fanfic Capítulo 4 - Repudio

Postado por Mah da Cunha

Eu tentava controlar as lágrimas que teimavam a cair quando um toque abafado pôde ser ouvido vindo da porta. Limpei mais que depressa meu rosto, poderia ser aquele homem e não queria que ele me visse chorando. Respirei fundo e tentei dizer o mais firme possível.
– Entre. – eu disse com a voz um pouco rouca pelo choro.
A porta se abriu lentamente e uma jovem senhorita baixinha, de cabelos negros longos e ondulados entrou no quarto. Ela deveria ter dezessete, no máximo dezoito anos. Tinha a pele bem alva, os lábios em um tom avermelhado natural e sua estrutura era delicada e miúda. Usava um vestido verde esmeralda de mangas cumpridas. Achei interessante que ela não usava uma anágua por baixo do vestido como a maioria das damas de hoje em dia. Seu vestido parecia ser de um modelo mais antiquado, mas ainda sim bonito. Estranhei porque as donzelas de hoje em dia amavam as anáguas, quanto mais volumoso o vestido melhor. Mas aquela pequena senhorita de feições delicadas era diferente.
– Olá, como está? – eu fiz uma careta para a sua pergunta absurda e ela pareceu notar, o que era curioso já que o quarto estava muito escuro. – Oh, perdoe-me a pergunta descabida senhorita. É a força do hábito. Vamos começar com algo mais aceitável. Eu sou Alice, e você?
– Isabella, mas pode me chamar de Bella se preferir. – eu disse e escutei ela soltar um risinho.
– Bem, Bella, porque não iluminamos o seu quarto? Está muito escuro aqui. – dito isso ela começou a acender várias luminárias que haviam nas paredes do quarto.
Eu provavelmente estava ocupada demais chorando para ter notado. Eu precisava me recompor. Toda vez que eu mergulhava em lágrimas eu expunha mais ainda o meu estado frágil e deixava de notar as coisas ao meu redor. Isso não era bom.
– Pronto. Melhor, não acha? – ela disse enquanto acendia a ultima luminária e apagava a vela que utilizou para acendê-la em sua mão.
– Sim, realmente. – disse por educação.
Agora que o quarto estava iluminado eu notei o quanto era bonito. Diferente do restante do castelo o ambiente ali era claro, as paredes eram de um turquesa lindo e haviam detalhes em dourado. O piso era de mármore branco, assim como os detalhes na lareira e móveis. Havia um grande armário de madeira ao fundo e na parede oposta a lareira havia outra porta que eu não havia reparado antes. Eu realmente ficava distraída quando chorava. O espaço era bem amplo e tudo ali exalava requinte e luxo.
Procurei pela senhorita Alice pelo quarto e a encontrei agachada próxima a lareira acendendo-a. Agradeci imensamente por ela estar fazendo aquilo, eu estava com muito frio.
– Agora sim está melhor. Em minutos o ambiente ficará aquecido senhorita Bella. Posso te chamar só de Bella? – eu assenti e ela sorriu.
Parei para analisa-la melhor. Ela era tão alva quanto o homem que havia me trazido até aqui. Seus olhos eram de um estranho ocre que parecia reluzir. Havia algo estranho em sua figura, embora eu não conseguisse dizer o que.
– Bem, Bella, estou aqui para preparar-lhe um banho e novas vestimentas. Deve estar cansada e faminta, então apressarei em colocar água quente na banheira para que possa se higienizar e descer para o jantar. Meninas! – ela disse um pouco alto a ultima parte e a porta imediatamente se abriu.
Duas moças, uma baixinha de cabelos castanhos enrolados e outra bem alta de cabelos negros e lisos, entraram. Elas carregam dois baldes cada uma e eles eram enormes. Notei que elas usavam um vestido branco com vermelho e um gorro branco na cabeça, uma espécie de uniforme, devendo assim ser empregadas. A dama Alice foi em direção à outra porta que havia em meu quarto e a abriu para logo em seguida as moças entrarem no local.
Estiquei um pouco o corpo, curiosa para ver o que tinha lá dentro, e notei ser um banheiro. Eu tinha um banheiro privativo? Isso viria muito a calhar. Escutei o barulho de água sendo despejada e logo em seguida as moças saíram do quarto. Em nenhum momento elas olharam para mim. Deveriam ser competentes em seu serviço.
– Venha Bella, venha enquanto a água está quente. – me levantei da cama e fui em sua direção.
Meu andar estava mais desajeitado. Agora que meu corpo esfriara estava mais difícil ainda me movimentar e a dor em meu joelho e tornozelo eram gritantes. Entrei no banheiro bastante iluminado e fiquei admirada com o requinte e o tamanho. Acho que meu antigo quarto não chegava à metade desse banheiro. Não analisei muito a decoração. Estava ansiosa para tirar a roupa molhada e entrar na água quente, lavando por fim meu corpo sujo de suor e terra.
– Venha, deixe-me ajuda-la. Deve estar congelando com esse vestido molhado. Seus lábios estão até mesmo arroxeados e você está tremendo! – Alice exclamou desmanchando as fitas do meu vestido que foi logo ao chão.
Ela me ajudou a tirar o espartilho restando por fim apenas a camisola de dormir que também estava meio húmida.
– Acho melhor tirar a camisola também. Não acha? – Alice disse e eu corei.
A jovem senhorita parecia extremamente relaxada diante da situação, mas eu estava muito envergonhada. Nunca havia fica totalmente nua na frente de ninguém.
– Estamos entre mulheres. Não precisa ter vergonha. – ela disse notando meu desconforto.
– Tudo bem. – eu disse por fim retirando a camisola.
– Deixe-me ajuda-la a entrar na banheira. Parece que está com problemas no joelho.
– Sim, me machuquei quando cai na floresta. Meu tornozelo também não está de todo bem, mas acho que logo melhora. – eu disse aceitando sua ajuda e entrando na banheira grande de um material branco que eu desconhecia.
– É de porcelana. Ela retém com mais facilidade o calor. – ela disse parecendo ler meus pensamentos e me estendendo sua mão extremamente fria.
Eu tremi com o contado mas nada disse, não seria indelicada. Entrei na banheira apoiando uma parte de meu peso na jovem senhorita e fiquei com apenas uma parte de minhas pernas submersas na deliciosa água morna.
– Nunca vi banheiras de porcelana. Para falar a verdade, estou acostumada ainda com as tinas de madeira. – eu disse mergulhando meu corpo na água morna e soltando um gemido de prazer.
Meu corpo frio logo se acostumou com a água morna e relaxou, melhorando um pouco as dores que eu sentia. Senti uma dor aguda em meu braço e vi que havia um corte ali envolto em um pouco de sangue seco que saia aos poucos na água. O mesmo acontecia com meu joelho machucado.
– Vou deixa-la para que tenha privacidade em seu banho. Aqui há bucha e sabão. – ela disse mostrando uma prateleira próxima à banheira onde continha a bucha e sabão em diferentes cores. –Lave bem seus ferimentos no braço e no joelho para que não infeccionem. Virei ao final do banho com sua toalha e estarei no quarto separando suas vestimentas para essa noite. Se precisar de algo me chame. – ela sorriu levemente e se retirou do banheiro me deixando só.
Comecei a tomar meu banho, limpei bem meus ferimentos como Alice sugeriu para que não infeccionassem. Logo depois comecei a limpar meu corpo. Me senti envergonhada quando notei a coloração amarronzada da água. Eu não tinha notado que estava tão suja. Logo depois me levantei para me retirar da banheira, no mesmo instante a porta do banheiro se abriu e a senhorita Alice apareceu segurando uma toalha branca. Queria saber como ela sabia que eu havia terminado o meu banho.
A jovem senhorita me envolveu com a toalha e eu fiquei encantada com sua textura fofa e macia. Realmente, tudo aqui parecia ser bem caro e do melhor.
– Obrigada. – eu disse quando ela se afastou me deixando enxugar meu corpo.
– Não há de quê. – ela disse sorridente.
Seu comportamento era tão calmo e alegre que eu quase podia me esquecer da minha atual situação naquele castelo. Quase.
– Senhorita, não é querendo ser indelicada, mas como as coisas serão para mim daqui para frente? – eu disse quando cheguei no quarto e Alice me estendia uma nova camisola.
– Por favor, me chame apenas de Alice. – ela disse delicadamente enquanto eu colocava a camisola de dormir. – Não sei ao certo como as coisas serão, Bella. Você tem liberdade para andar pelo castelo, menos na ala oeste como já lhe foi dito. Os empregados estarão a sua disposição e poderá ter o que precisar, mas não poderá sair do castelo e aconselho escutar meu irmão quando ele lhe falar algo para não criar problemas e você não correr o risco de parar nas masmorras. – ela disse concentrada e me olhou seriamente.
– Então poderei ter o que precisar, menos minha liberdade? – Alice assentiu me entregando um belo vestido azul ao mesmo estilo que o seu. – E você é irmã daquele homem rude?
– Sim, sou. O nome dele é Edward, a propósito. Não se preocupe com o comportamento dele, logo você se acostuma. – ela disse suspirando tristemente.
– Como posso me acostumar a tantas indelicadezas? Isso é impossível. – Alice soltou uma leve risada.
– Edward não é tão mal depois que o conhecemos, porque você não lhe dá uma chance de demonstrar?
– Desculpe-me Alice, mas eu não quero conhecê-lo. Eu não quero ter nada haver com ele. Eu perdi meu pai, meus sonhos e tudo mais por causa dele. – eu disse tentando ser o menos indelicada possível, afinal ela era irmã daquele homem, mas não consegui deixar de soar magoada.
Alice nada disse, apenas deu um leve suspiro.
– Sente-se aqui. Deixe-me pentear seus cabelos. – Alice me indicou o banquinho de uma penteadeira.
Fui até lá e me sentei virada para o espelho da penteadeira vendo Alice pentear meus cabelos molhados pelo reflexo. Enquanto ela penteava delicadamente meus cabelos eu a analisava. Ela era tão miúda e delicada que parecia ser quebrável. E então me lembrei da silhueta feminina que me guiara até a torre. A silhueta e Alice eram igualmente pequenas.
– Alice. – chamei sua atenção delicadamente.
– Sim?
– Foi você que me guiou até aquela torre? – Alice olhou seriamente para meu rosto refletido no espelho.
Ela inspirou fundo e deu um leve sorriso nervoso.
– Oh, bem, sim.
– Por quê? E porque não respondeu aos meus chamados?
– Bem, eu não concordei com a prisão daquele senhor. Mas Edward estava irredutível e nos ordenou a ficar longe dali. Quando a vi imaginei que poderia libertá-lo e os dois saírem livres daqui. Não respondi seus chamados porque nossas conversas poderiam chamar a atenção de meu irmão, e, como pôde perceber, isso não seria boa coisa. – ela disse sem me olhar e ao final deu outro sorriso nervoso.
Eu sentia que ela estava mentindo, mas eu não queria dizer nada para não ser indelicada. Ela estava sendo gentil comigo e eu não queria retribuir com maus modos.
– Sabia que ele era meu pai? – perguntei tentando não deixar o assunto morrer.
– Oh, não Bella. Foi uma grande coincidência, não acha? – ela disse olhando para mim e lá estava aquele sorriso nervoso novamente.
– Sim, uma grande coincidência. – eu disse por fim e ela pareceu estar aliviada.
Ela colocou a escova novamente na penteadeira e depois voltou-se para mim apertando minhas bochechas levemente.
– O que está fazendo? – eu disse confusa com seu gesto.
– Provocando um pouco de cor em seu rosto. Está muito pálida. – ela disse e eu apenas assenti permitindo que ela continuasse apertando minhas bochechas. – Pronto, agora sim. Está pronta, melhor descermos para o jantar, Edward não gosta de ficar esperando.
– Acho que não estou mais com fome. – eu disse sentindo que estava muito cansada.
Em minha mente eu só pensava em meu pai e se ele estaria bem. A preocupação começava a me consumir não deixando espaço para a fome.
– Mas Bella, você precisa se alimentar. – Alice me olhou alarmada.
– Muito obrigada por tudo Alice, mas eu não vou jantar.
– Mas tem que ir!
–Por favor Alice, quero apenas descansar agora. Avise-o que não irei.
– Bella... – ela começou a dizer parecendo estar bem preocupada.
– Por favor. – pedi mais uma vez me sentindo cada vez mais exausta.
– Tudo bem, mas aviso-lhe que Edward não irá gostar. Com licença Bella. – dito isso ela saiu do quarto bem depressa.
Eu retirei o vestido azul e o coloquei em cima do divã em frente à cama. Vestida apenas com a camisola, eu deitei na cama e me cobri com a macia colcha. Logo eu estava dormindo.
...
Acordei sobressaltada quando ouvi um grande estrondo. Percebi que vinha da porta, alguém batia nela com estrema violência.
– ACHO QUE EU LHE DISSE PARA DESCER PARA O JANTAR! – a voz daquele homem rude, Edward, soou do outro lado.
– NÃO ESTOU COM FOME! – eu gritei e logo depois me repreendi pela falta de educação.
Não importava, na verdade, afinal estava sendo tratada da mesma maneira.
– SAIA LOGO DAÍ OU EU QUEBRO ESSA PORTA! – ele gritou novamente e eu tremi de medo.
Será que ele seria capaz de fazer isso? Um estranho silêncio se fez durante alguns segundos.
– Você vai descer para o jantar? – ele disse do outro lado mais calmo.
– Não. – eu disse simplesmente.
– Me daria um grande prazer, se me acompanhasse no jantar. Por favor. – ele disse dessa vez soando um pouco nervoso.
– Não, obrigada. – eu falei mais delicadamente diante da sua primeira frase educada comigo.
– NÃO PODE FICAR AI PARA SEMPRE. – ele gritou novamente, sua calma e educação desaparecendo.
– POSSO SIM! – eu gritei irritada e logo percebi que minha resposta era absurda.
– PODE? ENTÃO VAI MORRER DE FOME! – ele disse e logo depois ouvi passos pesados se afastando.
Eu senti uma enorme raiva e depois comecei a ter noção do que havia feito. Oh, Deus, e agora? Eu seria trancada aqui? Ele realmente me deixaria sem comer? Foi em meio a tantas duvidas que eu adormeci novamente.
...
Acordei no meio da noite com o estômago doendo e reclamando pela falta de comida. Arrependi-me no mesmo instante de não ter ido jantar com o senhor Edward. Olhei pela minha janela e vi que a chuva havia parado e, aparentemente, era muito tarde da noite.
Levantei-me e coloquei o meu vestido. Iria me arriscar ir até a cozinha e tentar conseguir algo para eu comer. Era muito tarde, então provavelmente todos estariam dormindo e ninguém me perceberia andando pelo castelo.
Fui mancando até a porta, as dores haviam passado, mas eu ainda caminhava de forma desajeitada. Abri a porta e dei de cara com um homem alto, loiro e esquio me encarando do outro lado do corredor.
– Boa noite. – ele disse educadamente.
– B-boa noite. – eu disse sem jeito por ter sido pega no flagra.
– Sinto muito senhorita, mas recebi ordens para vigiá-la e não deixá-la sair do quarto. – ele disse parecendo realmente sentir muito.
– Oh, mas é que eu acordei com tanta fome. Será que eu não poderia ir até a cozinha e pegar algo para comer? Prometo não me demorar.
– Sinto muito senhorita, mas eu não posso deixar.
– Por favor. – eu supliquei com meus olhos cheios de lágrimas.
Então era isso? Eu ficaria presa em meu quarto agora e sem direito a comida? Ele realmente iria me deixar aqui para que eu morresse de fome? O homem, que não devia ter mais do que 25 anos, soltou um suspiro e depois olhou para os lados do corredor.
– Olhe senhorita, eu realmente não deveria fazer isso, mas eu não concordo com as atitudes de meu cunhado. Se quiser posso lhe acompanhar até a cozinha, mas devemos fazer o caminho em silêncio para não chamar a atenção.
– Sim, claro, para mim está ótimo. Muito obrigada senhor...
– Jasper. Me chame apenas de Jasper. – ele disse e sorriu de canto.
Eu fui em sua direção e ele foi me guiando pelos corredores do castelo. Fiquei feliz que o castelo se encontrava agora todo iluminado. Ele ia na frente para verificar se havia alguém próximo, e logo chegamos em frente à uma grande porta de madeira no piso inferior. Ele a abriu com cuidado e indicou para que eu entrasse. Eu logo me deparei com uma enorme cozinha com uma grande mesa de madeira ao centro. Jasper fechou a porta da cozinha e foi em direção à um grande armário de madeira.
– Sente-se. – Jasper disse enquanto retirava algo do armário.
– Obrigada. – eu disse me sentando em um dos grandes bancos de madeira.
Jasper logo colocou à minha frente um copo, uma jarra de vinho e outra de suco, pão, um prato, colher e uma panela aberta. Dentro da panela eu identifiquei uma sopa, e seu cheiro era esplêndido.
– Ainda está quente. Não faz muito tempo que o jantar foi servido. – ele disse e se sentou à minha frente.
– Obrigada, Jasper.
– Não agradeça. Coma, deve estar faminta. – eu assenti e me pus a servir.
Enchi meu prato com a sopa e logo depois despedacei um pouco do pão nela. Coloquei um pouco de vinho em meu copo e tomei tudo em um gole.
– Cuidado, não queremos que se embriague. – ele disse divertido e eu ri.
Comecei a comer e soltei um gemido de satisfação ao sentir o sabor da sopa.
– Está ótima. A cozinheira tem boa mão.
– Sim, Angela é boa no que faz. – ele disse e eu continuei a comer.
– Você disse que não concordava com seu cunhado. Por acaso seu cunhado é o senhor Edward?
– Sim, ele é meu cunhado. Sou casado com sua irmã, Alice. Você a conheceu.
– Oh, é marido de Alice? Não pensei que ela fosse uma senhora. Ela é encantadora.
– Sim ela é. – ele disse e eu vi um brilho em seu olhar.
Continuei a comer e às vezes olhava de relance para o rapaz à minha frente. Suas vestes eram de um azul marinho muito bonito, mas, como todos deste castelo, ele usava algo muito antigo para o nosso tempo. Seus olhos eram do mesmo tom ocre de Alice. Sua pele era bem alva e seus cabelos loiros eram lisos e arrumados.
– Se importa se eu repetir? – perguntei envergonhada, sentindo que ainda não estava satisfeita.
– Não, coma o quanto quiser.
– Obrigada.
– Eu me importo. – ouvimos uma voz vindo da porta da cozinha e olhamos ao mesmo tempo.
Eu estaquei em choque ao ver o rude senhor Edward parado na porta. Jasper se levantou no mesmo instante, e parecia estar mais branco do que já era.
– Edward, eu...
– Poupe-me de suas desculpas Jasper. É melhor ir. – ele disse olhando Jasper com reprovação.
Jasper assentiu e suspirou aliviado e logo se retirava da cozinha. Eu queria pedir para que ele ficasse e me protegesse da ira de Edward, mas eu já havia abusado de sua boa vontade, não queria abusar mais.
Edward olhou para mim com raiva e eu abaixei minha cabeça escondendo meu olhar dele. Ele sentou-se a minha frente e ficou me encarando.
– Pensei que a senhorita não estava com fome. – ele disse sarcástico.
– Estou com fome agora. – eu disse baixinho.
– Então, negou-se a jantar comigo, mas vem à cozinha para comer escondido no meio da noite. Isso não é o comportamento de uma dama.
– Desculpe-me. – eu disse corando de vergonha. Realmente o meu comportamento era nem um pouco louvável.
De repente tomei um susto quando ele esticou sua mão e pegou meu prato. Logo em seguida ele o estava enchendo com sopa e colocando-o a minha frente.
– Coma, não a quero fraca. – ele disse simplesmente.
Eu o encarei incrédula e estaquei ao perceber que seus olhos eram de um topázio intenso com algumas rajadas avermelhadas. Uma cor estranha que nunca tinha visto antes. Ousei reparar mais e notei que ele era o mais belo rapaz que eu já havia visto. Seus cabelos eram na cor bronze e pareciam estar bagunçados, o que lhe dava certo charme. Ele era muito novo, talvez nem tivesse 21 anos, era apenas um rapaz. Notei que suas sobrancelhas se arquearam e ele me olhava inquisitivo. Corei de vergonha por ter sido pega analisando-o e comecei a comer.
Logo eu já havia terminado e ele retirou tudo da mesa. Foi até a porta da cozinha e a abriu.
– Venha. – ele disse friamente.
Eu o segui até estar de volta em meu quarto. Entrei e logo soltei um longo bocejo demonstrando o quanto ainda estava cansada.
– Amanhã cedo Alice e Rosalie irão lhe mostrar o castelo e lhe explicar as regras. Espero que as escute atentamente ou teremos problemas. – ele disse me olhando ameaçadoramente.
Eu assenti e abaixei minha cabeça incomodada com seu olhar. Quando voltei a olhá-lo novamente percebi que ele estava mais próximo. Próximo de mais.
– Senhor? – eu disse confusa com sua aproximação.
– Edward, apenas Edward. – ele disse com uma voz tão suave que me fez arrepiar.
Ele estendeu uma de suas mãos e pegou uma das mechas de meu cabelo ainda húmido. Ele me olhou intensamente e começou a se aproximar mais ainda. Ele colocou seu rosto no vão de meu pescoço e inspirou profundamente. Eu me afastei assustada com a sua aproximação e ousadia repentina.
– Senhor... Edward. Acho que não devemos tomar esse tipo de intimidade. – corei por perceber que ele havia ido longe demais.
Ele me olhou com raiva e depois um sorriso sarcástico brotou em seus lábios.
– E quem disse que eu quero ter qualquer tipo de intimidade com a senhorita? – eu o olhei ultrajada. Sua voz e olhar estavam carregadas de desdém.
Além de tomar liberdades ele agora me tratava como algo sem valor. Fiquei com raiva da sua indelicadeza e por ele me tratar com desprezo.
– Boa noite. – ele disse rudemente e fechou a porta com força.
Eu estava demasiadamente confusa. Uma hora ele me tratava a base de gritos e outra ele tomava liberdades e falava com delicadeza.
Eu já sentia muita raiva daquele rude rapaz por tudo o que ele havia me feito. Agora eu o repudiava por suas atitudes que me deixavam confusa. Eu sentia como se tudo estivesse se juntando para se transformar em ódio.

1 comentários:

Natalia Marcarini Simionato disse...

Olá, mudou o banner do blog, por favor, faça a troca por aquele que está no blog!

Bjkas e obrigada
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